Com vocês, a fantástica Virada Cultural, na Cracolândia!

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– AÍ CARAI!

Soltei sem querer o palavrão num urro ao acordar com o estrondo dos primeiros tijolos da parede zunindo rente ao meu ouvido antes de espatifarem com toda força no chão.

Jamais falei um palavrão na frente dos meus filh… Meus filhos!? Cadê meus filhos? E ai eu só ouvi o PÁAAH!

A retro escavadeira fez um arregaço na parede. Mesmo engolindo pó, mesmo no escuro, mesmo antes do segundo golpe daquele dinossauro de aço eu já tinha juntado toda minha prole.

Segurar os quatro filhos com duas mãos é coisa que só uma mãe acuada é capaz. Nessa hora a gente arranca força nem sei da onde. Tá certo que dormir todos juntos na mesma cama ajudou para eles só acordarem já debaixo de minhas asas.

Passei a mão nas crianças e foi só o tempo da parede vir abaixo fazendo desaparecer a cama em que a gente dormia neste mesmo instante.

Pensei que era um pesadelo, daqueles bem feio que faz a gente se mijá nas calça e acordar no susto. Antes fosse fí.

Era um pesadelo, mas era um pesadelo invertido. Num vai acha que pesadelo invertido é o sonho da Cinderela, abraça. Pesadelo invertido é aquele que começa quando você acorda e a abóbora tá desmoronando junto com os tijolo tirando fina da sua cabeça.

Do buraco da parede entrou uma luz forte do farol da escavadeira, junto do vento frio trazendo a chuva gelada, nem sei que horas era mas ainda estava escuro lá fora. Eu só vi os vulto de um monte de homem fardado invadindo meu barraco com fuzil na mão, andavam feito um bando de baratas quando a gente destapa um bueiro.

Mas é um bueiro invertido. Não vai pensar que bueiro invertido é um palácio de luxo. Né nada disso não. É que quando destampou a parede, quem tava lá morando dentro era eu e meus fí, eu digo bueiro mas era minha casinha humilde paga com meu suor e de meu finado marido. E as baratas foram entrando como quem procura o ralo do esgoto pra fugir da chinela.

Eu escondi as minhas cria tudo pra traz de mim. Meu penhoar ficou transparente mas eu não me avechei não.

– Quiqui seis qué na casa de uma muié cheia de fiu? A gente num faz um mal pra ninguém, aqui ninguém é bandido não.

Foi um corre-corre, um pega pra capá. No meio do furdunço fui vendo que não era só minha casa que foi invadida, foi o bairro todo. Pense numa baderna…

Eu vim de uma terra chamada Ceilândia, cheguei aqui com a idade dessa minha fia caçula. Fui criada num bairro chamado Brasilândia. Até que descobri que estava grávida.

Meu pai não aceitou aquilo, disse que o cabra que deitou com sua filha tem que casá. Falou pra minha mãe que se eu já sabia fazer nenê, também já sabia cuidar das cria.

Foi aí que vim para nesse canto de mundo.

Meu marido era um homem bom, quando a gente viu já era quatro fio.

Um dia ele voltando tarde do trabalho pra casa levou um tiro da polícia, confundiram com um nóia daqui da área e mataram ele com quatro tiros, a mesma quantidade de fio que ele pôs no mundo.

Sem dinheiro pro velório o coitado foi enterrado como indigente.

Até esses dias eu não sabia o que era a guerra, terremoto, furacão, terrorismo essas desgraça que a gente só vê pela televisão e que acontece em lugar bem longe. Agora posso dizer que sei como é qui é.

Já faz uma semana desde aquele domingo chuvoso. A cidade toda em festa e pra cá a virada cultural foi revirando minha casa de ponta cabeça.

Me disseram que quem mandou aqueles homens baratas destruir minha casa foi esse tal prefeito, disseram que ele fez isso pra subir novos prédios. Eu não acreditei não. Subir prédio, pra que esse trabalho se já tinha prédio aqui? Agora destruiram tudo.

Dizem que é o prefeito, mas eu sei que não é.

Ele é um moço bonito, bem apessoado, fala bem, tem dinheiro, é estudado. Jamais uma pessoa dessas iria fazer isso com as família, tinha moça gravida, gente de idade que nem eu ví.

Onde já se viu derrubar casa cheia de gente dentro, só uma pessoa sem nada de bom dentro pra querer uma coisa dessas.

Eu votei nesse prefeito sabe. E vou votar nele de novo pra presidente. Isso é se eu conseguir achar os meus documentos no meio desses entulhos.

Já sei que vou morrer sem conseguir meu aposento, sem receber uma pensão do pai dos meninu.

Se eu recebesse um dinheirinho bom, iria querer levar as criança tudo pra Disneylândia.

Eu sei que é sonho alto pra uma mãe sozinha que cria os fí nesse porão de almas que eu chamo de Luz, mas o povo só conhece como Cracolândia.

A mim eles não me permitem nem sonhar, não me permitem nada, fora, temer.”

Toni C.
Texto originalmente publicado no jornal portugues Tornado.
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“Pixação” (é) e Arte(?)

Por: Demetrios dos Santos Ferreira*

Existe uma nítida falta de consenso sobre o aspecto artístico da pixação (opto em grafar a palavra com ‘x’ pois essa é a forma mais comumente adotada pelos próprios pixadores). Uma parte desses próprios agentes ­alegam que o que estão produzindo não é arte, já outros encaram o ato de pixar como uma forma de arte.

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Edifício Pixado no centro de São Paulo

No documentário “Pixo” (http://bit.ly/PixoDoc) dirigido em 2009 por João Wainer e Roberto T. Oliveira, temos uma oportunidade ímpar de entender a pixação por meio dos próprios pixadores.

William, um pixador da cidade de Osasco em São Paulo faz um relato interessante nesse filme, que nos ajuda a refletir sobre o significado da expressão por meio da pixação.

Ele afirma que não é capaz de ler a “letra de forma”, apesar de ter passado oito anos na escola. William chegou a concluir a oitava série do ensino fundamental, mesmo assim ele afirma que só consegue “ler pixos” e que não compreende de forma alguma textos produzidos em letras de forma.

Durante o documentário, ao tentar ler textos de um anúncio comum pintado nas paredes em sua comunidade, William não consegue ler frases muito simples, mas ao se deparar com pixações diversas, que para a maioria de nós seriam inteligíveis, William consegue ler normalmente, sem nenhuma dificuldade. Ele afirma que compreende muito bem a tipografia das letras utilizadas na pixação. Ou seja, há um código estético estabelecido que pode ser perfeitamente compreendido ente o grupo social de pixadores e isso não pode ser desprezado em nossa análise. Continuar lendo

Aos alienados: revolução. Em tempos de ódio: o amor. Esse é Mano Brown, Boogie Naipe, Baby

Por: Toni C.*

Tem ser humano que é tipo vinho e tem os zé povinho, esse cara é definitivamente do primeiro tipo, tinto. Aquele que rimou sobre revolução enquanto éramos todos alienados, é o mesmo que canta amor em tempos de ódio, no elegantíssimo álbum Boogie Naipe pelo primeiro e único: Mano Brown.

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A gente só queria dançar feito Michael Jackson e ter a cor que ele adotou aos 40 anos. Paulo Maluf vencia eleição para qualquer coisa que ele disputasse antes da gente saber sobre Malcolm X. Música jovem na quebrada no fim dos anos 80 era música estrangeira e ponto.
Posso falar um quilo dos tempos da Função, quando Gil Gomes era quem mostrava ao seu modo a favela, os pé-di-pato era fábrica de presunto.
“Justiceiros são chamados por eles mesmos
Matam homens e dão tiro a esmo” (Pânico na Zona Sul)
A partir daí, nada mais ficou no mesmo lugar.
Quer saber o que era ser jovem de periferia em 1992? Digita Negro Limitado e ouça Edi Rock no álbum Escolha Seu Caminho, a gente era limitado pela falta de informação, falta de orgulho, falta de estima própria.
Hoje os tempos são outros, temos informações até de sobra. Não se informa quem não quer,  quem fica só de zepovinhação, quem não morre afogado pelo tsunami de ideias, pela desinformação num mundo pós-verdade.
Eis que ressurge Mano Brown de maneira futurista e nostálgica como o globo espelhado no alto da pista de dança. Contagiante e versátil, Boogie Naipe é um álbum musicalmente foda. O primeiro disco solo de Mano Brown tem uma atmosfera envolvente fazendo das canções um repertório tão variado quanto os embalos de sábado a noite.
Confesso, resisti para ouvir e quando apertei o play fui imediatamente sequestrado por Simoninha…

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16 frases que provam que 2016 foi um ano que não deixará saudades

Por: Toni C.

Segundo o poeta, é genial quem teve a ideia de cortar o tempo em anos. Mas em 2016 foi diferente, essa pequena fração do infinito não foi cortada, foi rasgada, mascada e cuspida em frases que dá uma mostra do ano do qual somos sobreviventes. 2016 é um ano para ser esquecido… nunca, jamais. Para que não se repita, para que a gente acorde desse pesadelo e não durma no barulho dos patos e no silêncio repentino das panelas aqui vai uma lista de 16 desgraças resumidas em 16 pérolas para provar que 2016 foi um ano zuado e pode perdurar por mais 20 anos:

1 – “Apesar da crise…”.

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O tom de pesar se tornou um mantra para lamentar os bons índices que o Brasil mantinha na economia no início do ano… “apesar da crise” de pessimismo dos meios de comunicação.

2 – “A prisão coercitiva do ex-presidente Lula foi para evitar tumultos” – 04/03/2016.

eicay3e659l6zkde03hs3qz4qO juiz Moro justifica o abuso de autoridade ao conduzir e manter preso por horas o ex-presidente Lula, enquanto sua casa e de sua família eram reviradas, nada de comprometedor foi encontrado.

3 – “O Brasil não é a República da Cobra” – 04/04/2016.

19139628Discurso de Janaina Pascoal descabelada rodando a bandeira como numa vaquejada em ato pró-impeachment para rebater a afirmação de Lula: “se quiseram matar a jararaca não bateram na cabeça, bateram no rabo”.

4 – “Na televisão, a verdade não importa. É negro, favelado, então tava de pistola”.

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MC Carol protesta com a música Delação Premiada sobre casos como o do Amarildo, o do DG, crianças que são baleadas a caminho da escola e quem não se lembra da Cláudia morta quando foi amarrada e arrastada em uma viatura policial. Atitude semelhante teve Beyonce ao apresentar a música Formation no intervalo do Superbowl também denunciando o genocídio da juventude negra “parem de atirar em nós” diz a música da cantora americana, “cada país tem o Formation que merece” completa MC Carol.

 5 – “O primeiro a ser comido vai ser o Aécio”  – 23/05/2016.

Frase de Sérgio Machado à Jucá em conversa vazada à imprensa. Apesar de ser o mais citado na Lava a Jato, Aécio nunca foi convocado a depor. evqcv12mx9nevs0lrmbo3momiO juiz Moro e Aécio ainda apareceram sorrindo em evento da Revista Isto É onde Temer recebe título de “Homem do Ano”.

6 – “Amassaram a mina, intendeu ou não intendeu?” – 26/05/2016.

estuproUma garota de 16 anos foi vítima de estupro coletivo com a participação de mais de 30 homens no RJ, o vídeo com abuso foi filmado e compartilhado nas redes sociais pelos próprios agressores.

7 – “Dear Mama” – 03/05/2016.

wenn_afeni_tupac_shakur_jc_160503_4x3_992Morre aos 69 anos Afeni Shakur, integrante dos Panteras Negras e mãe do rapper assassinado Tupac Shakur.

8 – “Tchau Querida” – 31/08/2016.

ng6521680Primeira mulher eleita Presidenta da República é afastada do cargo mesmo sem haver comprovação de crime algum.

9 – “Não fale em crise, trabalhe”.

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Quando o golpe transforma oposição em situação, o “Apesar da Crise” se torna imediatamente na frase acima citada pelo presidente que desistiu de espalha-la por todos os cantos. O autor da frase se encontra preso condenado há oito anos por tentativa de homicídio.

10 –”Transformar a vítima em culpado” – 18/08/2016.

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Foi o que fez o juiz Olavo Zampol Junior ao negar o pedido de indenização ao fotógrafo Sergio Andrade que perdeu a visão quando foi atingido no olho por uma bala disparada pela Polícia Militar.

11 – “Argentina, não. Bê de Brasil…” 17/09/2016.

xserra-brics2-png-pagespeed-ic-bosw4x4v5aJosé Serra, convertido em Ministério das Relações Internacionais tenta enumerar os países que compõe os Brics.

12 – “O que está acontecendo? Essa será a nova bandeira do Brasil?” – 17/11/16.

rosangela-mullher-2Provoca uma confusa manifestante, temendo que o Brasil venha a ter uma “bandeira comunista”, apontando para bandeira do Japão.

13 – “América será grande de novo” – 9/11/2016.

trump-hillaryDonald Trump é eleito, pelo colégio eleitoral, o 45º Presidente dos EUA, apesar de ter menos votos que Hillary

14 – “Não se preocupe. É isso mesmo. Fique tranquila. Está tudo bem. Deixa comigo”. – 30/11/2016.

63002778_the-wreckage-of-the-lamia-airlines-charter-plane-carrying-members-of-the-chapecoense-reSobre o plano de voo do avião que conduziria o time Chapecoense ao desastre, a frase atribuída ao despachante acreditando que o combustível seria suficiente para concluir a viagem.

15 – “A PM tirou um pedaço de mim que jamais será preenchido. A PM matou meu filho. Essa dor nunca irá se cicatrizar” – 11/12/2016.

filhotatiLamenta a funkeira Tati Quebra Barraco nas redes sociais. A família ainda sofreu agressão moral com mensagens ofensiva na internet.

16 – “Havendo um inferno, está indo pra lá”. – 26/11/2016.

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Sempre infeliz, Reinaldo Azevedo comenta a morte do líder da revolução cubana Fidel Castro, morto aos 90 anos.

Espantado com essas 16 frases que comprovam que este ano foi um grande erro? Com esta pequena amostra dá pra ter ideia das outras 2.000 calamidades impublicáveis!?

Como desgraça pouca é bobagem, antes do ano terminar outra frase fala por sí. Se as mães tem um defeito é que elas não duram para sempre:

“Aí Dona Ana a senho é uma rainha”. (Mano Brown).

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A calçada da fama e os anônimos na rua

Pouso em Los Angeles no feriado de Ação de Graças ao som de California Love nos fones de ouvido. Uma metrópole que voa na velocidade alucinante de possantes carros presos no engarrafamento da hora do rush e eu em trôpegos passos acaricio com a sola do pisante o chão ralo nos becos estreitos formado pelo vão entre os prédios, latões, conteiners de lixo e graffite, estou dentro do GTA parceiro.

Por: Toni C.

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Taí uma cidade charmosa e talvez meio cafona. Notei isso logo no primeiro segundo ao desembarcar num dos terminais ainda não reformado do moderno aeroporto de LAX. O Rolex gigante na parede marca que por aqui o tempo passa em flashes, o carpete no chão é um luxo que agrada a visão e dificulta as rodinhas das malas dizendo a cada forasteiro feito eu – Psiu, pra que tamanha pressa? Chega no sapatinho. – confesso que tento sacar o “alto lá”. Continuar lendo

Socorro, ajudem uma amiga em apuros

Por Toni C.

Acabo de chegar da delegacia de defesa da mulher onde fui acompanhar uma amiga que foi violentada. Estou em choque e a única coisa que consigo fazer é compartilhar o texto do escrivão com o depoimento sofrido narrado aos prantos para que nunca mais nenhum de nós caia num golpe tão repugnante desses também:

[A delcarante iniciou o depoimento aflita]. Vim prestar queixa porque sou vítima de um violento ataque. Não quero tomar seu tempo com qualquer bobagem… Dizem que desgraça pouca é bobagem não é? Pois bem, não tenho nenhuma bobagem para contar.

[O escrivão pediu para ela começar com informações pessoais para o preenchimento do prontuário].

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Desculpe, estou com os nervos a flor da pele e acabei nem me apresentando: Eu sou brasileira, pele parda, tenho 28 anos, que aliás acabei de completar. Nasci em 5 de outubro de 1988 em Brasília e minha chegada foi celebrada com festa e alegria. Continuar lendo

2016, O Ano do Rap

Por Toni C.

Uns caçando Pokémom outros caçando assunto. E eu aqui caçando ideia.

“1994 é o ano do Rap
Quem nos critica, esquece”. (Sistema Negro, Poder da Rima).

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Pleno emprego, autosuficiencia em petróleo, credor do FMI, moral nas galáxia e a porra toda.

Aí já viu né tio, é osso, vai rimar o que? Vai reclamar do que? Vai contestar o que? Rap é som de protesto, critica social… Né não?

O só, cheguei a escrever: “O Hip-Hop Está Morto!” em 2011.

Pra quem achou que tudo foi pro saco, o pesadelo acordou: É hoje, é agora, O ANO DO RAP. Continuar lendo

Porque não votarei em nenhum rapper nessas eleições

Por Toni C.*

(Atualizado em 28/09 para inserção de candidatos)

 

“Fiquei sabendo tem um tal de Pepeu”. Antes de falar sobre o lendário rapper pioneiro ao gravar o primeiro disco do gênero no Brasil e que agora disputa uma vaga na vereança da capital Paulista, quero contar uma história menos conhecida, a do Claudinei.
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Claudinei era um garoto como eu, pobre morador da esquecida cidade de Carapicuíba. Pobre em termos financeiros, era rico, milionário de sonhos, sorrisos, esperanças e vontade de melhorar sua vida e de quem se metesse ao seu redor, assim como a Andreia, Gilson, André. Todos jovens de 14 anos de idade que tive o privilégio de conhecer nos tempos do grêmio da escola. Eu, Luciano, Amaro, Ricardo Cacá, João Paulo, João Ricardo fazíamos parte da “velha guarda” e andávamos quilômetros a pé nas ruas íngremes de Caracas mascando teoria como se fossem chiclete e com a revolução pulsando forte no meio do peito, íamos recrutando essa molecada para assumir nosso postos, para que nós assumíssemos também outras trincheiras.

Na última tarde de agosto, para REVER com Augusto de Campos

Por Christine Brito*

IMG_6585.pngUm abraço a poesia: Christiane, Renan, Augusto de Campos e Toni C.

A história é assim: Renan, compositor e integrante há quase 20 anos do grupo de rap Inquérito descobriu que fazia “poesia concreta” quando alguém leu suas letras e avisou. Renan gostou, foi aprender mais com o mestre Augusto de Campos. Comprou todos os livros que encontrou.

Em 2011, criou coragem e estreou no concretismo com #PoucasPalavras e agora lança o novíssimo Poesia pra encher a laje (LiteraRUA). Pouco depois, em junho, foi à exposição “REVER” no Sesc Pompéia, a maior exposição individual de Augusto de Campos, artista multimídia e produtor incansável (lançou livro com inéditos em 2015, pela Perspectiva).

Para dar uma ideia: Augusto tem 85 anos, 65 de carreira e, aos 60 anos (“ainda jovem, brinca”), aprendeu a lidar com softwares de produção de arte (antes, idealizava e produzia do jeito possível, inventado, muita coisa foi feita manualmente).

Renan e Toni C. parceiros nessa empreitada que chamam de LiteraRUA são “pau pra toda obra”, visitaram juntos a mostra do Sesc e ficaram maravilhados com as 75 obras expostas. Próximo passo foi enviar o livro do Renan para o Augusto, só para saber o que ele acharia. Augusto foi além, como sempre na arte e na vida; propôs uma conversa pessoalmente. Continuar lendo

Obrigada Segurança!

Por Thaís Guilherme*

O que eu vou contar aconteceu em pleno século 21.

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Estava Santo Amaro, onde havia acabado de sair de uma entrevista ali próximo, procurava emprego e carregava comigo alguns currículos, aproveitei que estava no bairro e decidi passar no Senai Ary Torres, onde eu cheguei a fazer alguns cursos há uns cursos anos atrás, eu tinha interesse em fazer um outro, pois ainda acredito que os estudos é a melhor forma de não nos submetermos as migalhas a nós destinadas no dia a dia.   Continuar lendo