Um presente para a Música Eletrônica, estreia o livro MEB

Um verdadeiro tratado sobre como a música eletrônica em nosso país se deu, desde os primeiros passos na década de 1930 até a contemporaneidade. Um trabalho minucioso, cronológico e que se complementa com centenas de biografias de artistas e personalidades fundamentais para a construção do mosaico brasileiro eletrônico. Assim é o MEB – A História da Música Eletrônica Brasileira, novo lançamento da LiteraRUA Editora que chega ainda em agosto.

eric_livroQuem afirma que a estreia de Eric Marke é apenas agora está muito enganado. Antes do livro MEB, Marke acumulou uma vasta e respeitosa experiência em diversas áreas, mas todas interligadas ao universo musical: DJ há mais de três décadas, onde discotecou em memoráveis casas como Madame Satã e Espaço Retrô aqui em São Paulo, é também jornalista e atuou como correspondente da TV BBC News em jornalismo cultural. Hoje é professor universitário com longa experiência, atualmente leciona no Centro Universitário Belas Artes.

Tudo isso é para mostrar que o livro de estreia de Eric Marke é apenas uma importante fração de tudo o que ele já faz e do que ainda está por vir.

Hoje, 11 de agosto, é o aniversário do autor, mas o presente é seu também: ainda nesse mês a LiteraRUA trás o livro MEB, um lançamento singular, necessário, intenso e urgente. Para comemorar tudo isso, estivemos com ele para um breve bate papo que você acompanha abaixo. Saiba mais como o MEB foi construído e se prepare para essa jornada que já está em pré-venda:

Blog LiteraRUA: Qual a importância da sua obra para a Música Eletrônica Brasileira?
Eric Marke
: Não só acredito como eu sei que esta obra será de grande importância para todo cenário da música eletrônica brasileira e mundial. É um marco inicial para todos que gostam de ler sobre este tema, sem restringir a nichos e grupos. A partir das consultas no meu livro, os leitores que produzem Música Eletrônica vão poder continuar esta história e criar suas próprias. Eu espero estar junto nas lives – ou onde puder estar –acompanhando, gravando, entrevistando ou somente curtindo com meus amigos.

 

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Eric Marke sob a lente de Demetrios Santos


BL:
 Fale um pouco sobre como a pesquisa foi desenvolvida e quais os critérios para escolha dos cenários e artistas retratados no MEB?
EM: Eu comecei a pesquisar alguns temas sobre música eletrônica, e me deparei com a falta de um livro que falasse sobre a documentação do cenário brasileiro. No começo tive que fazer vários contatos via cartas, e-mails ou encontros para iniciar um mapeamento. O único critério abordado foi tentar resgatar o máximo de histórias possível, dentro de um modelo enciclopédico.

BL: Quando e por que você decidiu escrever sobre a história da música eletrônica brasileira?

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O livro já está disponível em pré-venda

EM: Em janeiro de 2000 comecei a escrever meu livro. Eu decidi abordar este tema pelo amor que tenho pela música eletrônica – é algo muito difícil de explicar, pois esta dentro de mim, no meu coração.

BL: Quais os maiores desafios pra conclusão desse projeto?
EM: São três grandes desafios: o primeiro foi em trazer o máximo de informações em um único livro. Depois, escrever sendo imparcial. E então, resolver concluir para enfim publicar.

BL: Porque você escolheu a LiteraRUA para essa parceria?
EM: Bom, certas amizades são para sempre, mesmo quando às vezes estão um pouco distantes. O Demetrios (meu editor) é um amigo de longa data. Lembro que ele trouxe uma vez o Toni (CEO da LiteraRua) para conhecer minha casa e conversar com meu pai sobre política – isso há muitos anos. A escolha foi mais que certa, pois uma das principais linhas editoriais da LiteraRua é sobre música.

BL: 15 anos não é muito tempo pra conclusão de um livro?
EM: Cada autor tem seu tempo para lançar seu livro, e somente cabe a ele esta decisão. Não importa o tempo que levou para escrever, e sim sua conclusão e sua publicação. No meu caso, tomei a decisão de reunir o máximo de histórias por todo Brasil, e sabia desde o começo em 2000 que isso não seria fácil, mas nunca desisti. E agora depois de 17 anos é com enorme orgulho (do tipo de ver seu filho nascendo) que encerro esta primeira etapa.

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Com vocês, a fantástica Virada Cultural, na Cracolândia!

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– AÍ CARAI!

Soltei sem querer o palavrão num urro ao acordar com o estrondo dos primeiros tijolos da parede zunindo rente ao meu ouvido antes de espatifarem com toda força no chão.

Jamais falei um palavrão na frente dos meus filh… Meus filhos!? Cadê meus filhos? E ai eu só ouvi o PÁAAH!

A retro escavadeira fez um arregaço na parede. Mesmo engolindo pó, mesmo no escuro, mesmo antes do segundo golpe daquele dinossauro de aço eu já tinha juntado toda minha prole.

Segurar os quatro filhos com duas mãos é coisa que só uma mãe acuada é capaz. Nessa hora a gente arranca força nem sei da onde. Tá certo que dormir todos juntos na mesma cama ajudou para eles só acordarem já debaixo de minhas asas.

Passei a mão nas crianças e foi só o tempo da parede vir abaixo fazendo desaparecer a cama em que a gente dormia neste mesmo instante.

Pensei que era um pesadelo, daqueles bem feio que faz a gente se mijá nas calça e acordar no susto. Antes fosse fí.

Era um pesadelo, mas era um pesadelo invertido. Num vai acha que pesadelo invertido é o sonho da Cinderela, abraça. Pesadelo invertido é aquele que começa quando você acorda e a abóbora tá desmoronando junto com os tijolo tirando fina da sua cabeça.

Do buraco da parede entrou uma luz forte do farol da escavadeira, junto do vento frio trazendo a chuva gelada, nem sei que horas era mas ainda estava escuro lá fora. Eu só vi os vulto de um monte de homem fardado invadindo meu barraco com fuzil na mão, andavam feito um bando de baratas quando a gente destapa um bueiro.

Mas é um bueiro invertido. Não vai pensar que bueiro invertido é um palácio de luxo. Né nada disso não. É que quando destampou a parede, quem tava lá morando dentro era eu e meus fí, eu digo bueiro mas era minha casinha humilde paga com meu suor e de meu finado marido. E as baratas foram entrando como quem procura o ralo do esgoto pra fugir da chinela.

Eu escondi as minhas cria tudo pra traz de mim. Meu penhoar ficou transparente mas eu não me avechei não.

– Quiqui seis qué na casa de uma muié cheia de fiu? A gente num faz um mal pra ninguém, aqui ninguém é bandido não.

Foi um corre-corre, um pega pra capá. No meio do furdunço fui vendo que não era só minha casa que foi invadida, foi o bairro todo. Pense numa baderna…

Eu vim de uma terra chamada Ceilândia, cheguei aqui com a idade dessa minha fia caçula. Fui criada num bairro chamado Brasilândia. Até que descobri que estava grávida.

Meu pai não aceitou aquilo, disse que o cabra que deitou com sua filha tem que casá. Falou pra minha mãe que se eu já sabia fazer nenê, também já sabia cuidar das cria.

Foi aí que vim para nesse canto de mundo.

Meu marido era um homem bom, quando a gente viu já era quatro fio.

Um dia ele voltando tarde do trabalho pra casa levou um tiro da polícia, confundiram com um nóia daqui da área e mataram ele com quatro tiros, a mesma quantidade de fio que ele pôs no mundo.

Sem dinheiro pro velório o coitado foi enterrado como indigente.

Até esses dias eu não sabia o que era a guerra, terremoto, furacão, terrorismo essas desgraça que a gente só vê pela televisão e que acontece em lugar bem longe. Agora posso dizer que sei como é qui é.

Já faz uma semana desde aquele domingo chuvoso. A cidade toda em festa e pra cá a virada cultural foi revirando minha casa de ponta cabeça.

Me disseram que quem mandou aqueles homens baratas destruir minha casa foi esse tal prefeito, disseram que ele fez isso pra subir novos prédios. Eu não acreditei não. Subir prédio, pra que esse trabalho se já tinha prédio aqui? Agora destruiram tudo.

Dizem que é o prefeito, mas eu sei que não é.

Ele é um moço bonito, bem apessoado, fala bem, tem dinheiro, é estudado. Jamais uma pessoa dessas iria fazer isso com as família, tinha moça gravida, gente de idade que nem eu ví.

Onde já se viu derrubar casa cheia de gente dentro, só uma pessoa sem nada de bom dentro pra querer uma coisa dessas.

Eu votei nesse prefeito sabe. E vou votar nele de novo pra presidente. Isso é se eu conseguir achar os meus documentos no meio desses entulhos.

Já sei que vou morrer sem conseguir meu aposento, sem receber uma pensão do pai dos meninu.

Se eu recebesse um dinheirinho bom, iria querer levar as criança tudo pra Disneylândia.

Eu sei que é sonho alto pra uma mãe sozinha que cria os fí nesse porão de almas que eu chamo de Luz, mas o povo só conhece como Cracolândia.

A mim eles não me permitem nem sonhar, não me permitem nada, fora, temer.”

Toni C.
Texto originalmente publicado no jornal portugues Tornado.

Cuidado com os perigos ocultos da Baleia Azul 🐳

À primeira vista parece um jogo inofensivo. Mas não se deixe enganar a Baleia Azul é um desafio mortal.
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O fascínio que exerce o desafio Baleia Azul é sedutor, quase irresistível principalmente aos adolescentes e pessoas que pensam ser bem instruídas. Tanto que o nome mais apropriado para esse grupo de pessoas mal intencionadas deveria ser Sereia Azul, mas seria óbvio demais que o canto e a beleza estética da Sereia tem um só objetivo: levar as pessoas e a nação para a obscuridade profunda.
O grupo de curadores da tal Baleia submetem os participantes a um sequestro psicológico, bombardeando a todo instante com mensagens e desafios.
Um dos desafios mais perverso é assistir a um show de horrores todas as noites, na hora do telejornal.
Mutilação de caráter, cortes feitos com faca contra os próprios direitos e até suicídio intelectual estão entre as provas que os participantes são obrigados a se submeter.
Há relatos que pessoas antes amistosas e alegres, tarde da noite, agora ensandecidas, batiam panelas em suas varandas.
Uma multidão foi flagrada em constrangedoras coreografias, vestindo verde e amarelo e um odioso discurso contra semelhantes em cerimônia de devoção ao Pato Amarelo, uma fase avançada do jogo sórdido do macabro grupo da Baleia Azul.
Um participante do grupo chegou a postar: “Você precisa morrer, morrer de tanto trabalhar sem se aposentar!”, defendeu uma jovem que não quis se identificar, ela ainda acrescentou, “Tenho que fazer isso caso contrário minha família sofre as consequências”.
Os participantes demonstram comportamento depressivo e a economia também, vários foram submetido à falta de emprego, um castigo cruel imposto pelos organizadores do jogo. Até onde apuramos a obsessão dos criadores do jogo vem de outro animal marinho, a Lula Vermelha.

Veja alguns sinais de atitudes que podem estar relacionadas com a jogatina dessa Baleia assassina:

1. Mutilações nos direitos que antes estavam palma da mão.
2. Assistir filmes de terror todas as noites no horário do jornal.
3. Grandes desenhos de Pato ou qualquer outro animal.
4. Posts em redes sociais com os dizeres ofensivos e a marca “#i_am_whale” (“Eu sou uma Baleia”) ou #vai_pra_cuba (Vai pra Cuba).
5. Bater panela em horários estranhos.
6. Cortes nos “gastos” na previdência principalmente.
7. Arranjar brigas.

Uma coisa você pode ter certeza: A Blue Whale ou Baleia Azul existe, tem nome, endereço e conhecemos por aqui como Rede Globo de Televisão.
TC

“Pixação” (é) e Arte(?)

Por: Demetrios dos Santos Ferreira*

Existe uma nítida falta de consenso sobre o aspecto artístico da pixação (opto em grafar a palavra com ‘x’ pois essa é a forma mais comumente adotada pelos próprios pixadores). Uma parte desses próprios agentes ­alegam que o que estão produzindo não é arte, já outros encaram o ato de pixar como uma forma de arte.

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Edifício Pixado no centro de São Paulo

No documentário “Pixo” (http://bit.ly/PixoDoc) dirigido em 2009 por João Wainer e Roberto T. Oliveira, temos uma oportunidade ímpar de entender a pixação por meio dos próprios pixadores.

William, um pixador da cidade de Osasco em São Paulo faz um relato interessante nesse filme, que nos ajuda a refletir sobre o significado da expressão por meio da pixação.

Ele afirma que não é capaz de ler a “letra de forma”, apesar de ter passado oito anos na escola. William chegou a concluir a oitava série do ensino fundamental, mesmo assim ele afirma que só consegue “ler pixos” e que não compreende de forma alguma textos produzidos em letras de forma.

Durante o documentário, ao tentar ler textos de um anúncio comum pintado nas paredes em sua comunidade, William não consegue ler frases muito simples, mas ao se deparar com pixações diversas, que para a maioria de nós seriam inteligíveis, William consegue ler normalmente, sem nenhuma dificuldade. Ele afirma que compreende muito bem a tipografia das letras utilizadas na pixação. Ou seja, há um código estético estabelecido que pode ser perfeitamente compreendido ente o grupo social de pixadores e isso não pode ser desprezado em nossa análise. Continuar lendo

Marcela e Marisa, duas histórias de amor

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Se uma história de amor não bastasse, conto logo duas: a de Marcela e Marisa, duas mulheres casadas, mães, brasileiras, vivendo na Grande São Paulo.

As semelhanças entre as duas moças parecem que terminam por aí, mas aproximando a lente você verá outras semelhanças entre essas duas pessoas de estilos bem diferentes.

Marisa tinha uma vida parecida com a da maioria dos brasileiros, uma trabalhadora que acordava cedo e conheceu os dissabores da vida. Boa parte de sua existência passou sem chamar muita atenção. Desaparecia na multidão.

Marcela é puro glamour, sempre chamou atenção. Sonhava em ser modelo, se tornou a queridinha do Brasil.

As diferenças entre ambas parece não ter fim…

Até que um dia: Continuar lendo

Aos alienados: revolução. Em tempos de ódio: o amor. Esse é Mano Brown, Boogie Naipe, Baby

Por: Toni C.*

Tem ser humano que é tipo vinho e tem os zé povinho, esse cara é definitivamente do primeiro tipo, tinto. Aquele que rimou sobre revolução enquanto éramos todos alienados, é o mesmo que canta amor em tempos de ódio, no elegantíssimo álbum Boogie Naipe pelo primeiro e único: Mano Brown.

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A gente só queria dançar feito Michael Jackson e ter a cor que ele adotou aos 40 anos. Paulo Maluf vencia eleição para qualquer coisa que ele disputasse antes da gente saber sobre Malcolm X. Música jovem na quebrada no fim dos anos 80 era música estrangeira e ponto.
Posso falar um quilo dos tempos da Função, quando Gil Gomes era quem mostrava ao seu modo a favela, os pé-di-pato era fábrica de presunto.
“Justiceiros são chamados por eles mesmos
Matam homens e dão tiro a esmo” (Pânico na Zona Sul)
A partir daí, nada mais ficou no mesmo lugar.
Quer saber o que era ser jovem de periferia em 1992? Digita Negro Limitado e ouça Edi Rock no álbum Escolha Seu Caminho, a gente era limitado pela falta de informação, falta de orgulho, falta de estima própria.
Hoje os tempos são outros, temos informações até de sobra. Não se informa quem não quer,  quem fica só de zepovinhação, quem não morre afogado pelo tsunami de ideias, pela desinformação num mundo pós-verdade.
Eis que ressurge Mano Brown de maneira futurista e nostálgica como o globo espelhado no alto da pista de dança. Contagiante e versátil, Boogie Naipe é um álbum musicalmente foda. O primeiro disco solo de Mano Brown tem uma atmosfera envolvente fazendo das canções um repertório tão variado quanto os embalos de sábado a noite.
Confesso, resisti para ouvir e quando apertei o play fui imediatamente sequestrado por Simoninha…

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16 frases que provam que 2016 foi um ano que não deixará saudades

Por: Toni C.

Segundo o poeta, é genial quem teve a ideia de cortar o tempo em anos. Mas em 2016 foi diferente, essa pequena fração do infinito não foi cortada, foi rasgada, mascada e cuspida em frases que dá uma mostra do ano do qual somos sobreviventes. 2016 é um ano para ser esquecido… nunca, jamais. Para que não se repita, para que a gente acorde desse pesadelo e não durma no barulho dos patos e no silêncio repentino das panelas aqui vai uma lista de 16 desgraças resumidas em 16 pérolas para provar que 2016 foi um ano zuado e pode perdurar por mais 20 anos:

1 – “Apesar da crise…”.

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O tom de pesar se tornou um mantra para lamentar os bons índices que o Brasil mantinha na economia no início do ano… “apesar da crise” de pessimismo dos meios de comunicação.

2 – “A prisão coercitiva do ex-presidente Lula foi para evitar tumultos” – 04/03/2016.

eicay3e659l6zkde03hs3qz4qO juiz Moro justifica o abuso de autoridade ao conduzir e manter preso por horas o ex-presidente Lula, enquanto sua casa e de sua família eram reviradas, nada de comprometedor foi encontrado.

3 – “O Brasil não é a República da Cobra” – 04/04/2016.

19139628Discurso de Janaina Pascoal descabelada rodando a bandeira como numa vaquejada em ato pró-impeachment para rebater a afirmação de Lula: “se quiseram matar a jararaca não bateram na cabeça, bateram no rabo”.

4 – “Na televisão, a verdade não importa. É negro, favelado, então tava de pistola”.

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MC Carol protesta com a música Delação Premiada sobre casos como o do Amarildo, o do DG, crianças que são baleadas a caminho da escola e quem não se lembra da Cláudia morta quando foi amarrada e arrastada em uma viatura policial. Atitude semelhante teve Beyonce ao apresentar a música Formation no intervalo do Superbowl também denunciando o genocídio da juventude negra “parem de atirar em nós” diz a música da cantora americana, “cada país tem o Formation que merece” completa MC Carol.

 5 – “O primeiro a ser comido vai ser o Aécio”  – 23/05/2016.

Frase de Sérgio Machado à Jucá em conversa vazada à imprensa. Apesar de ser o mais citado na Lava a Jato, Aécio nunca foi convocado a depor. evqcv12mx9nevs0lrmbo3momiO juiz Moro e Aécio ainda apareceram sorrindo em evento da Revista Isto É onde Temer recebe título de “Homem do Ano”.

6 – “Amassaram a mina, intendeu ou não intendeu?” – 26/05/2016.

estuproUma garota de 16 anos foi vítima de estupro coletivo com a participação de mais de 30 homens no RJ, o vídeo com abuso foi filmado e compartilhado nas redes sociais pelos próprios agressores.

7 – “Dear Mama” – 03/05/2016.

wenn_afeni_tupac_shakur_jc_160503_4x3_992Morre aos 69 anos Afeni Shakur, integrante dos Panteras Negras e mãe do rapper assassinado Tupac Shakur.

8 – “Tchau Querida” – 31/08/2016.

ng6521680Primeira mulher eleita Presidenta da República é afastada do cargo mesmo sem haver comprovação de crime algum.

9 – “Não fale em crise, trabalhe”.

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Quando o golpe transforma oposição em situação, o “Apesar da Crise” se torna imediatamente na frase acima citada pelo presidente que desistiu de espalha-la por todos os cantos. O autor da frase se encontra preso condenado há oito anos por tentativa de homicídio.

10 –”Transformar a vítima em culpado” – 18/08/2016.

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Foi o que fez o juiz Olavo Zampol Junior ao negar o pedido de indenização ao fotógrafo Sergio Andrade que perdeu a visão quando foi atingido no olho por uma bala disparada pela Polícia Militar.

11 – “Argentina, não. Bê de Brasil…” 17/09/2016.

xserra-brics2-png-pagespeed-ic-bosw4x4v5aJosé Serra, convertido em Ministério das Relações Internacionais tenta enumerar os países que compõe os Brics.

12 – “O que está acontecendo? Essa será a nova bandeira do Brasil?” – 17/11/16.

rosangela-mullher-2Provoca uma confusa manifestante, temendo que o Brasil venha a ter uma “bandeira comunista”, apontando para bandeira do Japão.

13 – “América será grande de novo” – 9/11/2016.

trump-hillaryDonald Trump é eleito, pelo colégio eleitoral, o 45º Presidente dos EUA, apesar de ter menos votos que Hillary

14 – “Não se preocupe. É isso mesmo. Fique tranquila. Está tudo bem. Deixa comigo”. – 30/11/2016.

63002778_the-wreckage-of-the-lamia-airlines-charter-plane-carrying-members-of-the-chapecoense-reSobre o plano de voo do avião que conduziria o time Chapecoense ao desastre, a frase atribuída ao despachante acreditando que o combustível seria suficiente para concluir a viagem.

15 – “A PM tirou um pedaço de mim que jamais será preenchido. A PM matou meu filho. Essa dor nunca irá se cicatrizar” – 11/12/2016.

filhotatiLamenta a funkeira Tati Quebra Barraco nas redes sociais. A família ainda sofreu agressão moral com mensagens ofensiva na internet.

16 – “Havendo um inferno, está indo pra lá”. – 26/11/2016.

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Sempre infeliz, Reinaldo Azevedo comenta a morte do líder da revolução cubana Fidel Castro, morto aos 90 anos.

Espantado com essas 16 frases que comprovam que este ano foi um grande erro? Com esta pequena amostra dá pra ter ideia das outras 2.000 calamidades impublicáveis!?

Como desgraça pouca é bobagem, antes do ano terminar outra frase fala por sí. Se as mães tem um defeito é que elas não duram para sempre:

“Aí Dona Ana a senho é uma rainha”. (Mano Brown).

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Um rolê em Santo Amaro com a LiteraRUA

Uma metrópole como São Paulo vai muito além do clichê dos grandes centros culturais, das principais avenidas ou seus monumentos e pontos turísticos. Na contramão disso, existem muitas cidades dentro da mesma cidade. São nos bairros e nas ruas que se passa a vida real de gente apressada e são esses os cenários que estão retratados no livro Santo Amaro: A Evolução Urbana do Bairro Sob Diversos Olhares.

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A obra narrada por professores e pesquisadores da Universidade Santo Amaro inova exatamente com a proposta de explorar ao máximo uma das áreas mais importantes e antigas da zona sul paulistana e que no passado já foi um município independente: a macro região de Santo Amaro. Da colonização aos saraus de poesia, do cemitério do bairro aos galpões de antigas fábricas convertidos agora em templos religiosos, instituições de ensino e grandes shoppings centers. Nada escapa da caneta dos autores que dão destaque à cultura, especialmente ao Hip-Hop e aos seus principais grupos de rap da área como Racionais MC’s, Z’África Brasil e do saudoso Sabotage.

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Os nove autores se revezam na construção de sete capítulos que exploram assuntos como: a imigração alemã na região; a segregação e conflito em espaços urbanos; a memória do bairro; a industrialização e urbanização da região; dentre outros. Portanto questões históricas, geográficas, urbanísticas e sociais são apresentadas com o rigor científico esperado nessas temáticas. Escrito de maneira acessível para todo leitor, sejam estudantes, moradores do bairro, urbanistas, geógrafos, ou aquele interessado em conhecer melhor esse grande bairro e porque não um pedaço essencial da maior metrópole da América Latina. Continuar lendo

Noémia de Sousa: “Tirem-nos Tudo / Mas Deixem-nos a Música”

Conta a lenda, verdadeira, que ela só precisou escrever 46 poemas para tornar-se reconhecidamente a “mãe dos poetas moçambicanos”: Carolina NOÉMIA Abranches de SOUSA.

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Noémia de Sousa colaborou com “O Brado Africano”, jornal da resistência, durante três anos, de 1948 a 1951; do esforço nasceu inspiração para a densa poesia. Nunca mais versejou.

A mulher incansável que cresceu em um ambiente de reivindicação, que militava de dia e distribuía panfletos à noite com João Mendes, que escrevera cartas subversivas, que redigira artigos cortados pela censurava, que conspirava, não escapou a um processo que lhe deu condenou à prisão.

Refugiou-se em Lisboa com a “geração da utopia” sondando as independências. Circulou com a nata da intelectualidade africana em Portugal até ser perseguida pela ditadura e optar por novo exílio, desta vez na França.

Com uma filha às costas, Virginia Soares (Gina), saltou a fronteira, galgou os Pirinéus e alcançou a liberdade. Estava casada, desde 1962, com o poeta Gualter Soares. Continuar lendo

Corpo e Alma Remix, 12 músicas, 12 produtores

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O álbum Corpo e Alma foi lançado em 2014 e contou com a participação de Arnaldo Antunes, Natiruts, Ellen Oléria, Roberta Estrela D´Alva, Rael, DJ KL Jay, e Emicida.

Dois anos depois o Inquérito apresenta Corpo e Alma Remix. Nesse projeto as 11 músicas originais do disco ganham novas versões pela ótica de diferentes produtores.

Além do repertório original, o álbum remix traz ainda dois singles lançados posteriormente: Uma Só Voz (2015) e Madre Tierra (2016), fruto de parcerias gravadas em Cuba e na Argentina durante processo de intercâmbio com músicos latino-americanos.

O disco estará disponível nas plataformas streaming no dia 04 de novembro e, no dia 24 de novembro, será lançado em um show no Sesc Pompeia com participação de Arnaldo Antunes, Emicida e Roberta Estrela D´Alva

O Inquérito já disponibilizou o single “Sonhos Remix”, nas redes sociais e em todas as plataformas streming, além do arquivo para download.  A música pode ser ouvida no vídeo abaixo.

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