Sabotage surpreende em álbum póstumo inédito e memorável

Treze nos após a sua trágica morte, Sabotage está de volta com álbum arrepiante lançado digitalmente nesta segunda (17) na plataforma Spotify. A data já se tornou um marco histórico para o rap e por que não para a música. Pela primeira vez um rapper brasileiro lança um disco póstumo completo, Sabotage segue inovando.
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Capa do disco: Sabotage, reprodução.

A biografia oficial do músico Um Bom Lugar, já adiantava em suas páginas sobre a construção do disco, um dos mais aguardados de todos os tempos. As onze canções com a voz característica do rapper contaram com uma tropa de elite de produtores e músicos entre eles: Daniel Ganjaman, Tejo Damasceno, Rica Amabis, DJ Cia, Quincas Moreira, Tropkillaz, DJ Nuts, Mr. Bomba e Duani. Entre as participações nada mais, nada menos que BNegão, Rappin Hood, Céu, Negra Li, Dexter, DBS, Lakers, Funk Buia, Sandrão, Rodrigo Brandão, Fernandinho Beat Box além da participação internacional de Shyheim (integrante do Wu Tan Chan). Todos eles estão no repertório.

Assim como o disco de estreia de Sabotage, Rap é Compromisso (2000), o segundo álbum batizado por sua famosa alcunha também foi produzido pelo Selo Instituto, liderado por Daniel Ganjaman, Tejo Damasceno e Rica Amabis.

Todos participaram de forma voluntária e cederam direitos autorais aos filhos do rapper, Wanderson dos Santos e Tamires com 23 e 22 anos respectivamente. 

Deu na Folha de S.Paulo – Álbum póstumo de Sabotage é lançado 13 anos após o assassinato do rapper

Um pouco sobre o livro Um Bom Lugar
A biografia oficial de Sabotage conta com prefácio de um Titã, Paulo Miklos, com quem Sabotage conviveu por semanas no set de filmagens de O Invasor de Beto Brant, era a estreia de ambos os músicos na telona invadindo o cinema nacional. Mas antes do auge, Sabotage era o Maurinho do Canão, o sobrenome emprestou da favela onde nasceu, encravada no Brooklin, o bairro que mais se desenvolvia economicamente no país, durante a redemocratização. Um Bom Lugar é a primeira biografia definitiva de um rapper brasileiro, também é a primeira de uma bateria de ações que marcam mais de uma década da ausência do músico. Rappin Hood, Celo X, Ganjaman, Sandrão, Helião e Mano Brown, são alguns dos que concederam entrevistas exclusivas para a obra.
Contatos:
LiteraRUA.com.br
nois@literaRUA.com.br
3857-6225
Três perguntas do jornal Estado de Minas segunda (17) ao biógrafo de Sabotage, Toni C. autor do livro Um Bom Lugar:

Treze anos depois de sua morte, o que Sabotage significa para o rap nacional?

Sabotage era um ícone, assassinado no auge de uma carreira meteórica e se tornou mito. Como ícone, como mito, é vanguarda, está à frente de seu tempo, parece que gravou esse disco ontem. Sabotage narra o Brasil aonde a democracia, a Constituição, os direitos básicos e saneamento não chegaram quando homens saqueiam esse país por cinco séculos. Pune-se uma mulher inocente e o castelo construído por mais de uma década desmorona. Neste momento em que vemos o Judiciário anular a condenação dos responsáveis pelo massacre no Carandiru, quando a TV ameaça diariamente prender o melhor presidente que tivemos, enquanto Eduardo Cunha segue solto… [A entrevista aconteceu antes da prisão do Eduardo Cunha]. Bom, só uma palavra define o ano de 2016: Sabotage. Este álbum não poderia chegar em momento mais pertinente.

O rapper ficou conhecido por não ser radical como os colegas do hip-hop nos anos 2000. Ele gostava da Sandy, do Sepultura…
Está aí a prova de como era antenado e influente. Muito do que vemos hoje é consequência do que Sabotage construiu de maneira pioneira. Essa é uma parte de seu legado. Rap é música e, como arte, deve estar junto e misturado com outras artes ao redor. É tudo nosso!

Sabotage foi ator de cinema, era multimídia. No livro, você lembra que ele vivia ligadíssimo, com pagers e telefones no bolso.
Ele foi um dos primeiros rappers a sacar que música e imagem andam juntas. Gravou o clipe Rap é Compromisso e depois, postumamente, foi premiado com Respeito é Pra Quem Tem. Fez os filmes Carandiru e O invasor, estampou história em quadrinhos, está em documentários e na biografia que tive a honra de escrever. Poucos artistas são tão influentes em tantas áreas. Treze anos depois de ser assassinado, ele segue essencial. O Maurinho do Canão foi tragicamente assassinado e deixou seus familiares, mas Sabotage é imortal.

 

Ouça as músicas aqui
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