Corpo e Alma Remix, 12 músicas, 12 produtores

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O álbum Corpo e Alma foi lançado em 2014 e contou com a participação de Arnaldo Antunes, Natiruts, Ellen Oléria, Roberta Estrela D´Alva, Rael, DJ KL Jay, e Emicida.

Dois anos depois o Inquérito apresenta Corpo e Alma Remix. Nesse projeto as 11 músicas originais do disco ganham novas versões pela ótica de diferentes produtores.

Além do repertório original, o álbum remix traz ainda dois singles lançados posteriormente: Uma Só Voz (2015) e Madre Tierra (2016), fruto de parcerias gravadas em Cuba e na Argentina durante processo de intercâmbio com músicos latino-americanos.

O disco estará disponível nas plataformas streaming no dia 04 de novembro e, no dia 24 de novembro, será lançado em um show no Sesc Pompeia com participação de Arnaldo Antunes, Emicida e Roberta Estrela D´Alva

O Inquérito já disponibilizou o single “Sonhos Remix”, nas redes sociais e em todas as plataformas streming, além do arquivo para download.  A música pode ser ouvida no vídeo abaixo.

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Cooperifa 15 anos, quando a poesia da periferia debuta

Por Toni C.*

A vida corrida não permite que se esbanje tempo, artigo de luxo. “Nem os grandes matemáticos poderiam resolver”, os poetas sim: “(…) as 24 horas do dia parecem 48.” sentencia o Papa Francisco antes de ordenar: “Merece um Nobel quem tem tempo para se dedicar aos filhos”. Imagina o mecânico ostentar um momento para lustrar as palavras, a dona de casa polir versos como quem area panelas e o artesão desbastar frases para ornamentar. Imaginou!?

Pois bem. Cooperifa é este quilombo, a viga mestra que protege os sobreviventes de serem esmagados pelos escombros da ignorância. Catástrofe que mais faz vítimas fatais em toda história humana.

Caso o leitor nunca tenha participado de um sarau e nem tenha ideia do que acontece num ambiente desses, não há motivo para constrangimento. Nenhum de nós sabíamos o que era isso também e soava como um ritual misterioso de alguma sociedade secreta. Até Sérgio Vaz e Marcos Pezão juntarem coragem em resgatar suas escritas diretamente das gavetas invisíveis e declamar em alto e bom som ainda no Garajão em Taboão da Serra. Continuar lendo

Sabotage surpreende em álbum póstumo inédito e memorável

Treze nos após a sua trágica morte, Sabotage está de volta com álbum arrepiante lançado digitalmente nesta segunda (17) na plataforma Spotify. A data já se tornou um marco histórico para o rap e por que não para a música. Pela primeira vez um rapper brasileiro lança um disco póstumo completo, Sabotage segue inovando.
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Capa do disco: Sabotage, reprodução.

A biografia oficial do músico Um Bom Lugar, já adiantava em suas páginas sobre a construção do disco, um dos mais aguardados de todos os tempos. As onze canções com a voz característica do rapper contaram com uma tropa de elite de produtores e músicos entre eles: Daniel Ganjaman, Tejo Damasceno, Rica Amabis, DJ Cia, Quincas Moreira, Tropkillaz, DJ Nuts, Mr. Bomba e Duani. Entre as participações nada mais, nada menos que BNegão, Rappin Hood, Céu, Negra Li, Dexter, DBS, Lakers, Funk Buia, Sandrão, Rodrigo Brandão, Fernandinho Beat Box além da participação internacional de Shyheim (integrante do Wu Tan Chan). Todos eles estão no repertório.

Assim como o disco de estreia de Sabotage, Rap é Compromisso (2000), o segundo álbum batizado por sua famosa alcunha também foi produzido pelo Selo Instituto, liderado por Daniel Ganjaman, Tejo Damasceno e Rica Amabis.

Todos participaram de forma voluntária e cederam direitos autorais aos filhos do rapper, Wanderson dos Santos e Tamires com 23 e 22 anos respectivamente. 

Deu na Folha de S.Paulo – Álbum póstumo de Sabotage é lançado 13 anos após o assassinato do rapper

Um pouco sobre o livro Um Bom Lugar
A biografia oficial de Sabotage conta com prefácio de um Titã, Paulo Miklos, com quem Sabotage conviveu por semanas no set de filmagens de O Invasor de Beto Brant, era a estreia de ambos os músicos na telona invadindo o cinema nacional. Mas antes do auge, Sabotage era o Maurinho do Canão, o sobrenome emprestou da favela onde nasceu, encravada no Brooklin, o bairro que mais se desenvolvia economicamente no país, durante a redemocratização. Um Bom Lugar é a primeira biografia definitiva de um rapper brasileiro, também é a primeira de uma bateria de ações que marcam mais de uma década da ausência do músico. Rappin Hood, Celo X, Ganjaman, Sandrão, Helião e Mano Brown, são alguns dos que concederam entrevistas exclusivas para a obra.
Contatos:
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nois@literaRUA.com.br
3857-6225
Três perguntas do jornal Estado de Minas segunda (17) ao biógrafo de Sabotage, Toni C. autor do livro Um Bom Lugar:

Treze anos depois de sua morte, o que Sabotage significa para o rap nacional?

Sabotage era um ícone, assassinado no auge de uma carreira meteórica e se tornou mito. Como ícone, como mito, é vanguarda, está à frente de seu tempo, parece que gravou esse disco ontem. Sabotage narra o Brasil aonde a democracia, a Constituição, os direitos básicos e saneamento não chegaram quando homens saqueiam esse país por cinco séculos. Pune-se uma mulher inocente e o castelo construído por mais de uma década desmorona. Neste momento em que vemos o Judiciário anular a condenação dos responsáveis pelo massacre no Carandiru, quando a TV ameaça diariamente prender o melhor presidente que tivemos, enquanto Eduardo Cunha segue solto… [A entrevista aconteceu antes da prisão do Eduardo Cunha]. Bom, só uma palavra define o ano de 2016: Sabotage. Este álbum não poderia chegar em momento mais pertinente.

O rapper ficou conhecido por não ser radical como os colegas do hip-hop nos anos 2000. Ele gostava da Sandy, do Sepultura…
Está aí a prova de como era antenado e influente. Muito do que vemos hoje é consequência do que Sabotage construiu de maneira pioneira. Essa é uma parte de seu legado. Rap é música e, como arte, deve estar junto e misturado com outras artes ao redor. É tudo nosso!

Sabotage foi ator de cinema, era multimídia. No livro, você lembra que ele vivia ligadíssimo, com pagers e telefones no bolso.
Ele foi um dos primeiros rappers a sacar que música e imagem andam juntas. Gravou o clipe Rap é Compromisso e depois, postumamente, foi premiado com Respeito é Pra Quem Tem. Fez os filmes Carandiru e O invasor, estampou história em quadrinhos, está em documentários e na biografia que tive a honra de escrever. Poucos artistas são tão influentes em tantas áreas. Treze anos depois de ser assassinado, ele segue essencial. O Maurinho do Canão foi tragicamente assassinado e deixou seus familiares, mas Sabotage é imortal.

 

Ouça as músicas aqui

Socorro, ajudem uma amiga em apuros

Por Toni C.

Acabo de chegar da delegacia de defesa da mulher onde fui acompanhar uma amiga que foi violentada. Estou em choque e a única coisa que consigo fazer é compartilhar o texto do escrivão com o depoimento sofrido narrado aos prantos para que nunca mais nenhum de nós caia num golpe tão repugnante desses também:

[A delcarante iniciou o depoimento aflita]. Vim prestar queixa porque sou vítima de um violento ataque. Não quero tomar seu tempo com qualquer bobagem… Dizem que desgraça pouca é bobagem não é? Pois bem, não tenho nenhuma bobagem para contar.

[O escrivão pediu para ela começar com informações pessoais para o preenchimento do prontuário].

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Desculpe, estou com os nervos a flor da pele e acabei nem me apresentando: Eu sou brasileira, pele parda, tenho 28 anos, que aliás acabei de completar. Nasci em 5 de outubro de 1988 em Brasília e minha chegada foi celebrada com festa e alegria. Continuar lendo

2016, O Ano do Rap

Por Toni C.

Uns caçando Pokémom outros caçando assunto. E eu aqui caçando ideia.

“1994 é o ano do Rap
Quem nos critica, esquece”. (Sistema Negro, Poder da Rima).

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Pleno emprego, autosuficiencia em petróleo, credor do FMI, moral nas galáxia e a porra toda.

Aí já viu né tio, é osso, vai rimar o que? Vai reclamar do que? Vai contestar o que? Rap é som de protesto, critica social… Né não?

O só, cheguei a escrever: “O Hip-Hop Está Morto!” em 2011.

Pra quem achou que tudo foi pro saco, o pesadelo acordou: É hoje, é agora, O ANO DO RAP. Continuar lendo